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Domingo, Maio 22, 2022

O Fim do Trabalho e a IA

Os Nossos Autores

João Bernardo

Theodore Kaczynski

Os grandes progressos da Inteligência Artificial (IA) e da robótica vão tornar gradualmente obsoletos classes profissionais inteiras. A primeira a desaparecer será a dos motoristas profissionais (cerca de 140 mil apenas em Portugal) mas, a médio prazo, com o desenvolvimento cada vez maior da IA e dos algoritmos inteligentes, classes profissionais até agora consideradas invulneráveis como a dos advogados e dos médicos estão em risco. Para além deles, durante a próxima geração a maioria de nós – independentemente da profissão – será economicamente redundante. É certo que as economias se podem reajustar para concederem a todos um “rendimento médio garantido”: cada vez mais a única solução para dar a todos um rendimento digno num contexto de desemprego generalizado, crónico e permanente mas, em termos mentais este rendimento médio não oferece soluções de fundo para o problema da ocupação humana e para o que ela representa para a saúde mental da generalidade da população.

É certo que, até agora, a cada nova onda de progresso tecnológico com a sua inevitável vaga de destruição de emprego se sucedeu uma vaga de criação de novos empregos e que após cada grande conversão de modelo económico: agricultura > indústria > serviços houve sempre a aparição de novas profissões que absorveram a mão-de-obra deixada para trás pelo anterior paradigma económico. Mas a revolução da IA que está agora na ante-câmara não é uma revolução como as outras. As IA serão em breve capazes de ensinar tão bem como os melhores professores, de conduzir automóveis e camiões melhor do que qualquer humano e fazer diagnósticos, julgar qualquer caso de tribunal e desenhar melhor do que qualquer ser humano. Desta vez não há novos empregos a serem gerados. Apenas destruídos. E isto é apenas o começo. O começo da generalização das IA especializadas.

Atualmente o desafio é colocado – a curto e médio prazo – pelas IA especializadas mantendo-se o ser humano superior às melhores IA nos domínios criativos e generalistas. A transição das IA especializadas para as IA generalistas, dotadas de Consciência e capazes de saltarem de um ramo de especialização para o outro à velocidade da luz e aprendendo infinitamente mais e melhor do que qualquer ser humano será uma revolução dentro da revolução da IA e extinguirá a maior parte de todas as formas de ocupação e trabalho humano. E é aí que residem todos os perigos… Será o ser humano capaz de viver numa tal sociedade? Se o ser humano for declarado “redundante” por uma comunidade IA super-inteligentes, ligadas em rede e conscientes não haverá a tendência (lógica) dessas IA de extinguir essa criatura redundante e, comprovadamente, perigosa para o planeta?

Rui Martins

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