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Sobre a actual vaga de insegurança no Areeiro e o que podem a CML e a Junta fazer

Depois de duas sapatarias, uma Padaria, uma loja de saúde na João XXI, roubo de catalisadores e volantes, uma loja na Actor Isidoro e de carros vandalizados, na madrugada de 30 de Outubro coube a vez à “Loja com História”. A livraria Bertrand, aberta ao público desde 1964, a encontrar a porta de vidro quebrada  à força de pedradas e a loja invadida.
Assim como sucedeu nos outros casos recentes, não é nítido que tenha havido um benefício financeiro directo na maioria desses furtos que mais não fazem do que criar despesa aos proprietários e gerar um sentimento de insegurança entre a população.
Nada (ou muito pouco) parece ter sido levado e ao contrário do que aconteceu no Areeiro há uns dois anos o alvo não parece ter sido a caixa registadora ou os artigos em exposição.

De facto, parece haver agora um elemento de raiva contra a sociedade, indevidamente canalizado, um caso de saúde mental ou de consumo de estupefacientes por resolver e tratar. Apesar desta incerteza é certo que as autoridades e, em particular as instâncias democráticas que estão mais próximas das populações: a Câmara Municipal de Lisboa e a Junta de Freguesia do Areeiro não estão a fazer tudo o que podem fazer para aumentar a segurança na freguesia e ajudar a PSP a ter mais meios.

A esquadra da PSP das Olaias (que serve duas freguesias: Areeiro e Beato) tem uma dotação de pessoal muito insuficiente para as necessidades das duas freguesias e a dita “super-esquadra” da General Roçadas encontra-se demasiado longe para poder responder em tempo útil a todas as solicitações. Os números da criminalidade são – em tese – baixos mas não incluem estes picos de actividade criminosa que, frequentemente oscilam de freguesia em freguesia num movimento pendular cíclico nem contabilizam as “cifras negras” de toda a criminalidade que, em Lisboa, não é participada à polícia.

Precisamos de mais e melhor iluminação nocturna havendo actualmente em Lisboa centenas de candeeiros desligados (alguns há meses), que a 31 de Outubro são desligados às 0649 quando ainda está escuro, do guarda nocturno que nos prometeram em campanha eleitoral, de mais policiamento (apesar do esforço e empenhamento a esquadra das Olaias continua a ter poucos agentes e meios e a funcionar em péssimas instalações), de avaliar a instalação de videovigilância em alguns locais da freguesia e de um reforço da presença diurna e nocturna da Polícia Municipal como elemento dissuasor e de vigilância.

Não acredito que o fecho de todas as esquadras de Lisboa como forma de “colocar mais agentes na rua” (déjà vu) proposto pelo director nacional da PSP Magina da Silva tenha resultados positivos porque esse movimento já foi ensaiado no passado e continuamos a ter relatos de falta de policiamento e de reacções lentas às ocorrências que advém das distâncias percorridas até aos locais dos chamamentos. Mas talvez o processo das outras vezes tenha sido feito de uma forma que não produziu resultados e agora tudo corra melhor. Duvido que esta concentração de esquadras produza efeitos se for feita em edifícios inadequados e construídos para outros fins (como p. Ex. a da General Roçadas ou das Olaias) e se a polícia continuar a não receber meios (p. Ex. Computadores) das autarquias locais e do Estado Central.

Não acredito também que a “solução” de criar postos de atendimento nas Juntas de Freguesia compense este encerramento de esquadras: as Juntas não têm horários de funcionamento compatíveis com as necessidades dos cidadãos em circunstâncias de emergência de segurança nem em horário laboral. Por outro lado, esses agentes que assim seriam destacados como iriam receber as denúncias sem acesso ao sistema da segurança interna e muito provavelmente muitas juntas não teriam instalações que permitissem receber queixas nas exigidas condições de privacidade e confidencialidade.

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